quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Um bolo chamado Confiança





Não existe receita.
Existe ingrediente principal.
Fui a São Paulo em junho deste ano e lá conheci o Mosteiro de São Bento e sua padaria delicatessen, com seus bolos seculares, e deliciosos, que somente os monges tem acesso a receita. São repassadas a cada novato que entra, sussurrado ao ouvido. Não é escrito, é memorizado. O vento não leva, a terra não absorve, não evapora. É guardada na mente, e transmitida ao próximo.
Assim, creio que deva ser o formato de um bom relacionado. Semeado por gerações, embora eu esteja neste instante tentando colocar em palavras, mas somente para não deixar de dizer pra vocês sobre minha sensação.
Como eu disse: para um bom relacionamento não existe receita, mas como um bolo, onde o principal ingrediente é sempre um farináceo, existe este nas relações e se chama CONFIANÇA.
Nao, não é amor. Dizer que ama é fácil, fácil. É mais uma palavra para conseguir que alguém te dê algo sem pedir nada em troca. "Eu te amo" virou moeda de confiança e é só uma frase, muitas vezes não embalada de sentimento. Não se ama se não se confia e se perde-se a confiança, lá se foi o amor.
Não é a fidelidade, que segue pelo mesmo rumo e está ligada por um cordão umbilical ao principal.
Não é lealdade: lealdade É confiança.
Um relacionamento não se sustenta sem confiança e se perde sem ela. Já vi relacionamentos amorosos virarem amizades lindas, simplesmente porque a confiança não se perdeu; apenas o amor se transformou.
E não há nada mais digno do que ser o cofre da confiança alheia. É mágico saber que aquele segredo mais conflituoso será bem guardado e bem aconselhado. É intenso saber que você pode se doar de corpo e alma e não será julgado, pressionado, cobrado ou traído.
Traição pior é a do campo da mente e não do corpo. É horrível você conviver anos e depois descobrir que tudo aquilo em que você confiava se foi.
E confiança se contrói, se repassa. Deveria ser o primeiro ensinamento repassado a um filho.
Você confia em que?
Você confia em alguém?
Repasse aos ouvidos alheios que esse é o segredo. O segredo da felicidade é fazer os outros felizes e os outros não são felizes se não confiam, se não tem acesso seguro, sem paraquedas, a mente e ao coração do próximo.

O que eu te desejo é um salt oem queda livre, as cegas, e que lá embaixo tenha alguém pra lhe segurar.

Isso é melhor e mais intenso que amor.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Pra que saber dançar, se podemos cantar?



Sou cantora. Há quinze anos. Comecei no Rio de Janeiro, mas foi em São Luis, Maranhão, já na ponta alta do mapa, que minha carreira se consolidou e, além de conhecer verdadeiros amigos, me apaixonei pelo meu ofício.
Nunca consegui compreender a necessidade do ego em meu meio. A competição desenfreada, que faz com que nos tornemos quase inimigos, puxando o tapete em trabalhos, falando mal nos becos, enfim. Acho que música é pra unir e quem é bom de verdade, é humilde o suficiente pra admirar seus colegas de profissão. 
Tassia Campos, ariana, cantora porreta, amiga de alma, é muito diferente de mim. Ela é contemporânea, eu sou tradicional. Ela é desapegada, eu trago tudo pra dentro do meu umbigo. Ainda assim encontramos a sintonia do caminho do meio, em sermos ambas mães, cheias de afazeres díários, e uma entrega pela música que é maior do que nosso desejo de desistir.
Ontem ela cantou Marina Lima, mas já cantou Sergio Sampaio, Novos Baianos, Bob Marley, e sua próprias músicas e tudo é sempre assim: entregue e cheio de paixão.
Eu não sei dançar devagar, nem ela. Somos intensas em nossas vidas e mesmo quando procuramos o chão, é apenas para que ele se derreta sob nossos pés, através desse momento particular e único que é a canção.

Não dança mesmo não, amiga. Canta. E vive.

Amém a ti, passarinha.

<3



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sobre encontros e desencontros


É possível nos encontrarmos e nos perdermos várias vezes em uma só vida. Nos perdemos de nós mesmos, de nossas escolhas, de pessoas. Alguns desencontros são propositais e, por vezes, necessários. A vida, as vezes, nos faz cortar um laço que já estava frouxo e nos salva de ter que amarrar o cadarço puído.
Alguns encontros nos são destinados. E você percebe isso no primeiro olhar, na primeira frase trocada. Na mútua sensação de aconchego e permissão. Mas nem todas as vezes a sabedoria funciona e então, voilà: tomamos caminhos inversos, saboreamos tristeza, mágoa, e crescimento através da dor; apenas para rodarmos em círculos e batermos novamente na mesma porta que nos acolheu.
Saibamos apreciar nossas segundas chances. Nem todos a tem. Nem todos podem se dar ao luxo de achar o fio da meada, então não perca a ponta do durex.
Não se deixe subornar pela auto piedade que te impede de rir. Não se auto flagele, não se puna. Você pode, e deve, ser feliz.
Se o Universo te deu uma segunda chance e te colocou no caminho o reencontro, aproveite.
A gente nunca sabe até quando.
Nunca.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sobre fazer amor ou trepar: significâncias.



            Uma preocupação do mundo monogâmico: a perda de seu status quo.
Porque “fazer amor” está se tornando fora de moda. Está? Você trepa ou faz amor? Você trepa com quem faz amor? Talvez seja essa a chave da Caixa de Pandora. Não sei quem colocou na cabeça (sem dualidades, por favor) que não se trepa com quem se faz amor.
           Eu sinceramente acho que, ao entrar na adolescência nossos jovens deveriam ganhar de presente um exemplar do Kama Sutra. Nossas meninas e meninos deveriam aprender que sexo é vida, não é vulgaridade. Aliás, nunca entendi a importância dada aos pseudônimos do sexo _ trepar, fuder, fazer amor _ como se tudo não fosse para designar essa junção de corpos. Porque fazer amor é lindo e trepar é sujo? E nunca entendi porque “fazer amor” é, vocabularmente, menos intenso que “trepar”. Acho, inclusive, e digo por experiência própria que, em apenas uma noite de sexo é possível fazer todos eles, basta ter disponibilidade.
           É possível estar com uma pessoa que se conhece pouco e fazer amor? É possível trepar com quem se está relacionando de forma constante? É possível fazer do ato sexual algo tranquilo e sem tantos pronomes, interjeições, vocábulos e conceitos? É possível apenas entrelaçar os corpos e ser feliz?
            É possível ler este texto sem se escandalizar com a palavra TREPAR?

            Esqueçam as palavras e encontrem os corpos. 
            Trepem ou façam amor, mas descubram-se.

Sobre palhaços, políticos e a banalização da vida.




É neste lugar virtual, é por aqui, ladeira onde todos podem expor as suas opiniões, de forma ou sensata ou totalmente irresponsável, que posso concluir que a humanidade não tem salvação. E quando digo essa palavra não me refiro a um pensamento cristão, mas sim de que não merecemos qualquer coisa que possa ter em sua significância algo que remeta a felicidade. Em dois dias eu li que depressão é palhaçada, que o palhaço drogado que falava mal do Brasil morreu tarde, que depressão é falta de taca. Hoje, o Brasil assiste, na arquibancada do seu sofá a morte de um pai de cinco filhos em um acidente de avião e junto com ele, outros pais estavam naquela aeronave. E aqui, nesta budega livre, dita democrática, mais uma vez leio absurdos que vão desde o desejo à morte de outros, até teorias conspiratórias e piadas de tanto mal gosto que é realmente de fazer um palhaço se matar. E se não fosse por esse sentimento de apego aos meus, e a tantos que realmente merecem viver eu realmente acharia que um novo Dilúvio cairia bem, ou uma nova extinção por um meteoro como há milênios.
Sim, eu me importo com o Ebola.
Sim, eu me importo com Gaza.
Me importo com as mortes do avião da Ucrânia.
Me importo com qualquer morte que leve de seus entes um pai, um ser humano que era importante.
Me refiro a esses dois exemplos porque são recentes e fico estarrecida em como esse povo desta bola azul pode ser leviano. Cruel. Despreparado para viver.
Alguns amigos brincam dizendo que eu falo demais em morte no meu dia a dia. Que todos os dias eu conheço alguém que morre. Mas é que a perda me comove, embora eu acredite que possamos renascer e nos reconstruir em outro momento.
Eu não me importo em ser exacerbadamente sentimental. Não mesmo. Isso provavelmente maltrata mais a mim que a qualquer pessoa.
Me importar demais, mesmo com os que não conheço é mais dolorido à minha pessoa, pode crer.
Sim, o mundo está uma merda. Mas eu não viro as costas. Não desisto.
Palhaço, políticos ou conhecidos ou desconhecidos: minha oração e a de minha família está com vocês.

Não, não sou obrigada.